quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Osmar Ramiro dos Santos(vive dentro de cada um que o ama)
Quando alguém faz a passagem de sua vida vivida entre nós é normal sentirmos
uma dor ,mas o que se deve ficar são as lembranças boas,que com o tempo se transformam em saudade gostosa.
Meu cunhado se foi,hoje ele se encontra na luz;
Nós precisamos entender com os olhos da fé,que ele vive em outra dimensão.
Sua passagem para o plano espiritual deixou muita gente abalada.
Sua família de sangue e a nossa por adoção,seus amigos,toda uma cidade lamenta sua partida.
Creio que ele está muito bem.Seu sorriso nos mostrava o quanto ele valorizava a vida e os seus.
Estou postando algumas fotos,pois com o tempo eu colocarei mais.
É uma simples homenagem de uma cunhada que aprendeu com Osmar o valor de ser simples,do trabalho e do sorriso.

Mamãe era a sogra preferida,segundo ele
                                 Mostrando com orgulho sua barriga





                                              Com seu filho de coração
                                            Sempre me chamou de Madalena

                                                 Adorava pescar
                                           Sempre gostou de um joguinho




                                         Uma das poucas fotos em que ele estava sem sorrir,esboçando sua alegria em viver.

domingo, 21 de setembro de 2014

Não sei a pergunta
Não sei o  caminho a seguir
Não sei nada de nada
Só sei que Deus vai me dando respostas e com elas eu faço novas indagações
Só sei que há quatro encruzilhadas e,que eu tenho  só uma para seguir
Só sei que procuro saber,mas a cada livro lido,nova emoção e um mundo novo a ser descoberto
Amo demais,mas ao mesmo tempo  não concretizo
O amor fica preso,não se expressa
Minha doação é ínfima
Queria poder me retalhar e dividir-me
Estar junto a tantos  e  nem consigo sair do lugar
Às vezes me sinto árvore,mas sempre me sinto pássaro querendo o aconchego do ninho
Sinto,pressinto,vejo e revejo,mas nem sempre meus olhos estão abertos
O mar está distante,mas eu ouço bem nitidamente seu barulho
Sinto o cheiro do perfume que provoca alergias
Sinto um hálito quente e forte e no entanto estou só
Há alguém me espiando,mirando em mim,mas já é madrugada,a porta está cerrada,silêncio.
Nada sei
Nenhum caminho surgiu até hoje facilmente
Só sei que há uma luz,que me inspira e me deixa leve,como agora
Mas há momentos em que há um vento forte que quer me levar embora
Brigo com meus fantasmas
Acordo e vejo que há ainda uma vida a ser vivida


sábado, 20 de setembro de 2014

Ela ouvia Cazuza,depois Elis.Estava aflita demais,pois ele iria vê-la,passou um batom,deu uma nova penteada nos cabelos,tomou um pouco de água.
A hora esperada estava chegando.
Nunca ninguém a tratara com tanto carinho.
Estava nas nuvens,sentindo um turbilhão de coisas ao mesmo tempo.
Há muito ela o esperava.Tinha medo,pois era mais velha do que ele sete anos,mas ele a queria e isso a fazia sentir mais mulher naquele momento.
Sempre sentiu-se reprimida em relação ao amor de um homem.
Na verdade ela nunca se sentiu amada.
Nunca sua pele foi tocada da forma em que ela desejava.
E de repente aparece a oportunidade.
Toma uma cerveja que estava esquecida na geladeira.
Escova os dentes,mastiga um chiclete,retoca o batom,abre a janela.
Fica um tempo olhando aquela rua parada,quase sem pessoas,sábado.
E bate um medo,fecha a janela , volta para seu computador e fica esperando até dar conta que esperava o nada.Sim,as horas passaram,ele não veio,não ligou,nem deixou um sinal na internet.
Havia agora um grande vazio,brigava consigo mesma,revoltada em sonhar,em acreditar.Ela era estragada para o amor,sabia disso e ainda confiar que alguém sairia de Resende ,no Rio,para conhecer uma mineira sonhadora.
Deu graças a Deus!E  se ele fosse um bandido?
E passou o resto do sábado a remoer seus sentimentos,agora tão contraditórios.
Mas algo a inquietava.
Ela sabia que nunca mais iria querer vê-lo.Isso não se fazia.Brincar com sentimentos,mesmo que fosse por via virtual,ele brincou,a fez sonhar com um mundo mais divertido,com horizontes novos e belos.
Nunca ninguém a despertou tanto para um mundo novo,para a possibilidade de viver de verdade,de se sentir amada.De conhecer lugares e pessoas diferentes.
Começou a aprender Alemão,língua difícil para quem é latino e ele a ajudava via rede social.Já arriscava cantar alguma coisa,aprendeu cozinhar e gostar de tudo que se referisse ao idioma e ao país de seu amado.
Ensaiava,ria sozinha,depois ouvia as músicas e se imaginava visitando  lugares maravilhosos ao lado daquele homem de olhos azuis ,que tanto chamava sua atenção,mas seu sonho tinha ido por água abaixo.
Ele simplesmente desaparecera e nem deixado um número  de telefone.Ela se encontrava abafada,com raiva de si mesma,de se deixar levar por uma ilusão.
Final de semana sufocante.Não queria ceder e entrar na rede social e procurar por ele.Isso não.Era um abuso,não permitira ousar tanto,se oferecer,não fora preparada para isso.
A semana começou e sua solidão se amenizou com o trabalho,mas a raiva não.
Até que...seu telefone toca.Um número ,que ela  não conhecia.
Era de um hospital em Leopoldina.
Alguém chamava por ela ,mas ela não conhecia ninguém lá.
A assistente social explica que um homem a chamava.
Ela se assusta.
Como alguém tem meu telefone se eu nunca  dei meu número,só meus amigos e familiares o possuem?
De repente ela entende tudo.
Havia esquecido,mas o alemão pediu seu telefone ,na véspera do tal encontro.
E assim tomada de um medo estranho ela conversa com a assistente social e diz que chegará no outro dia.
Avisa seu chefe e parte para casa.
Não podia dirigir,estava ansiosa.
O ônibus  teria horário só no outro dia.
Será que era sonho.pesadelo,medo?Será que a esperança venceria?
Nenhuma resposta.
Saiu de Governador Valadares e seguiu rumo a Leopoldina,sem ninguém.
Sabia que não aguentaria viajar tantos quilômetros,sem parar,mas foi.
Quando chegou já era noite.
Conseguiu encontrar o hospital,mas não poderia vê-lo.Só no outro dia,depois das 13 horas.
Aconselhada pela atendente do hospital, ela acomodou-se em um simples hotel próximo.
Viveu o céu e o inferno ao mesmo tempo.
Louca,sim sou uma louca e acabou adormecendo.
No outro dia,bem cedo ela vai ao hospital e recebe uma notícia:ele faleceu durante a madrugada e chamava por você.
Quanta loucura,quantos gritos e ais por alguém que ela nunca vira,mas que amava.
E  nunca mais ela quis conhecer ninguém.
Viveu seu luto como viúva.
Não quis vê-lo morto.
Uma amiga a buscou.
E hoje ela vive da casa para o trabalho e escreveu  sua história,diz que é para nunca esquecer-se dele.
Acabei de fazer a revisão para ela e o livro será editado.
Chorei quando terminei de ler seu relato.
Ela amou e ama tanto,que até parece mentira,mas  ela o vê através de seu pensamento e de todo o amor, que por pouco  tempo ela viveu virtualmente e hoje o vive espiritualmente.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

De repente aquela pedra de Drummond já não faz mais diferença em minha vida,mas continua sendo a pedra que abre discussões em torno do verbo ter,cheias de oratórias da gramática normativa.
A pedra que me pertence pode ser outra e é outra.Ela aparece gigantesca de acordo comigo mesma.
E quando a vejo em um caminho ela tem outra conotação,me lembra viagens,estradas de Minas e Bahia.
Algumas vezes,há detalhes que nos faz refletir,as aberturas ou risco,como?Por quê?
Nem sempre temos as respostas.
Só sabemos que ela se apresenta majestosa.

Em alguns momentos ela é só parte da paisagem
E há um longo caminho a ser percorrido

E assim é a vida
feita de metáforas e realidades
A pedra que incomoda hoje pode ser  a mesma que irá ajudar na sua construção.
A sua beleza depende do tempo que você dedica a admirá-la.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

   
                                                    Antíteses em mim
 Como eu queria ser a musa dos românticos
colocada em um altar,pura,inocente,pálida,fria
Ali,quieta, sem dor,sem querer
Idealizada,sonhada
Mas não sou
Tenho em mim antíteses
Sou em mim opostos que me desafiam
Anjos barrocos querem habitar em mim
Eu não os aceito
Eu os desafio
Os demônios ficam na espreita
e eu com medo
Não penso nada e ao mesmo tempo tudo
Há vários deuses querendo meu templo e eu sou monoteísta
As cavernas não me cabem
Os edifícios me desumanizam
Detesto esse feminismo que faz ser mulher do século XIX em casa
e me obriga a ser século XXI na sociedade
Tenho que ser dividida em quatro partes
e tampouco estou aguentando uma
Meu sorriso contagia e irrita
Minha alegria incomoda
A tristeza é varrida todos os dias
e sempre a vassoura está ali,na área de serviço
lembrando-me de minha condição imposta
Beijos não existem
Abraços passaram longe
E o que foi fortaleza está prestes a ruir.