domingo, 6 de julho de 2014

Ela sempre acreditou,apesar de tudo que ele fazia,ela acreditou.
Acreditou em sua família,em seus filhos,em suas verdades,em tudo e todos.
Nunca deixou de crer,mesmo quando tudo parecia  naufragar,sabia que havia alguém  ou algo que a segurava,que dava forças,que a levava para frente.
Nunca havia perdido a esperança,nem a fé.
Sempre acreditou que a luta valeria a pena,que as migalhas recebidas se multiplicariam e um dia se tornariam um pão de verdade,um maná.
Visitou as sombras e saiu irradiando luz,pois acreditava,sentia que um vento soprava diferente em torno dela,rodopiou  feito um pião ,deslizando  ,soltando da corda,mas mesmo assim fazia disso tudo um suave bailar e com os pés doloridos sorria,pois sempre acreditava,dava firmeza a muitos,era rocha para outros,mas por acreditar demais,ela se deixava ir,movida por essa estranha fé e  havia algo impulsionando-a.
Criatura estranha,acreditava demais,parecia uma personagem saída de um conto de Clarice Lispector.
Nunca aceitou ficar só.Sempre viajava em grupos e como gostava de ficar em uma roda de conversa,principalmente se fosse sobre músicas e livros.
Como ela gostava de músicas antigas!
E sabia cantar,tinha uma voz gostosa de se ouvir.
Hoje,está só,melancólica,sem saber que rumo tomar.
Já não existe a preocupação,só a saudade que dói.
As fotos antigas estão em uma estante.Não quer mais vê-las.
Começa a esquecer que um dia sonhou em ser feliz.
Já não sente mais vontade de preparar uma comida gostosa.
Não quer mais viver,mas de repente,ela  percebe novamente aquela brisa estranha,que como uma valsa  a rodopia e a leva para um livro e nesse instante a magia acontece,ela  vê dedicatória de uma amiga onde se lê:"A você que me ensinou a gostar e a viver a leitura,que nunca morra essa garra e essa gana em nos tornar leitores".
Estranhamente ela  voltou para trás e  sorriu.
Parecia que  algo a instigava e a fazia remoçar.
Eu sempre a ouvia,e era gostoso escutá-la.

Ela sempre me fazia reviver suas histórias quase cinematográficas.

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